Nintendo revela que 38,5% das suas vendas ainda são em mídia física, na contramão da Sony

Enquanto Sony abandona os discos, Nintendo mostra que o físico ainda pesa 38,5% das vendas

    Enquanto a Sony segue irredutível quanto ao fim da produção de discos para PlayStation a partir de 2028, a Nintendo acaba de mostrar, com números na mão, que o formato físico ainda está longe de virar peça de museu — pelo menos dentro do próprio ecossistema Switch. Em seu balanço financeiro mais recente, a empresa revelou que 38,5% de suas vendas de software no trimestre ainda vieram de cópias físicas, um contraste e tanto com o movimento que a concorrente vem fazendo.

Nintendo revela que 38,5% das suas vendas ainda são em mídia física, na contramão da Sony

Os números por trás do balanço

De acordo com o relatório referente ao período entre 30 de março e 30 de junho de 2026, a Nintendo faturou 132,7 bilhões de ienes apenas com vendas digitais — um salto de 90% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Isso elevou a fatia digital do faturamento total da companhia para 61,5%, um avanço de 2,2 pontos percentuais frente ao ano passado. Fazendo as contas, sobra justamente aquele fatia de 38,5% ainda pertencente ao formato físico — uma proporção bem relevante, especialmente se comparada ao cenário atual do mercado PlayStation.

Vale destacar dois pontos importantes sobre como esse número é calculado. Primeiro, a fatia "digital" da Nintendo inclui não apenas jogos baixados diretamente, mas também assinaturas do Nintendo Switch Online e pacotes de atualização para versões Switch 2 de jogos já existentes — ou seja, o número não representa exclusivamente jogos completos comprados em loja digital. Segundo, vendas de jogos empacotados junto com o hardware (como o combo Mario Kart World que acompanha o Switch 2 no lançamento) entram na contabilidade de hardware, e não nessa fatia de software — então o percentual físico "puro" de jogos vendidos separadamente pode ser ainda maior do que os 38,5% relatados.

A diferença de postura entre as duas fabricantes chama atenção. Enquanto a Sony já confirmou o fim da fabricação de discos físicos a partir de janeiro de 2028 — decisão que inclusive passou a ser estampada em avisos nas próprias caixas do PS5 —, a Nintendo segue lançando praticamente todos os seus jogos first-party também em versão física, com pouquíssimas exceções (como Pokémon Pokopia, que não é publicado diretamente pela Nintendo em todas as regiões).

O momento também coincide com outro movimento importante do mercado: a Rockstar Games confirmou que a única versão física de GTA 6 será do tipo "code in box" — ou seja, uma caixa que contém apenas um código de resgate digital, sem o jogo propriamente gravado em disco. Esse formato vem sendo cada vez mais comum entre publishers que ainda querem oferecer uma opção física nas prateleiras, mas sem os custos de produção de mídia física tradicional.

Outro dado que reforça esse cenário de transição: segundo o analista de mercado Mat Piscatella, apenas sete jogos venderam mais de 100 mil cópias físicas nos Estados Unidos ao longo de 2026 no ecossistema PlayStation — um número baixo que ajuda a explicar por que a Sony se sente confortável em abandonar o formato.

Por que a Nintendo ainda aposta no físico

Apesar da tendência geral do mercado apontar para o digital, faz sentido a Nintendo manter o pé no formato físico por enquanto. O público do Switch inclui uma fatia grande de famílias e crianças, um perfil de consumidor que historicamente valoriza a possibilidade de presentear, emprestar ou revender jogos fisicamente — algo praticamente impossível no modelo totalmente digital. Além disso, cartuchos físicos simplificam a experiência para quem não quer lidar com gerenciamento de contas e downloads em consoles compartilhados entre vários membros da família.

Mesmo com a fatia física ainda relevante, a tendência de crescimento digital na Nintendo é clara — 90% de salto ano contra ano não é pouca coisa. A pergunta que fica é até quando a empresa vai conseguir sustentar esse equilíbrio entre físico e digital enquanto o resto da indústria, liderado pela Sony, acelera o movimento para o "tudo digital". Por ora, porém, quem ainda gosta de colecionar jogos físicos para Nintendo Switch 2 segue tendo motivos de sobra para continuar comprando na plataforma.

Com informações de GamesRadar+ e IGN Brasil.