Crash Team Racing ganha port nativo para PC com até 240 FPS e widescreen 32:9

    Crash Team Racing, o clássico de corrida de kart do PlayStation lançado em 1999, acaba de ganhar uma versão nativa para computador chamada Crash Team Racing: Turbocharged. Desenvolvido pelo programador Cameron Redmore e disponível gratuitamente para Windows e Linux, o projeto roda o jogo sem emulador, com renderizador próprio, taxas de quadros muito acima das originais e uma lista grande de melhorias opcionais.

CTR Turbocharged já pode ser jogado nativamente no PC
Fonte: GitHub


Um port diferente dos que já mostramos

Quem acompanha nossa cobertura de projetos desse tipo, como o port nativo de Spider-Man: Edge of Time, vai notar uma diferença técnica importante. O Turbocharged não usa recompilação estática do executável original. Ele parte da decompilação feita pela comunidade (o trabalho do projeto CTR-tools, que ao longo de anos reconstruiu o código do jogo por engenharia reversa) e é um fork do Crash Team Racing: High Octane, um sourceport criado por Rinnegatamante a partir do projeto ctr-native. O resultado final é parecido para o jogador, um jogo rodando nativamente no PC, mas o caminho técnico é outro.


Os pontos mais fortes do projeto

Renderizador 3D nativo. O destaque visual é o novo renderizador, com precisão de vértices em nível de subpixel e texturas com correção de perspectiva, o que elimina o famoso "tremor" (wobbling em inglês) dos polígonos típico do PS1. Também há nível máximo de detalhe em todas as pistas, teste de profundidade adequado e opções de anti-aliasing (FXAA, MSAA e SSAA).

Taxa de quadros e widescreen. O jogo pode rodar a 30, 60, 90, 120, 144 ou 240 FPS, com animações interpoladas e temporização ajustada para manter a física coerente. Qualquer proporção de tela é suportada, de 4:3 até 32:9, com a interface se adaptando ao formato escolhido.

Cada recurso é opcional. Nada no Turbocharged é "tudo ou nada". Na primeira execução, o jogador escolhe entre quatro predefinições: PS1 (o jogo original, a 30 FPS, sem melhorias), Vanilla+ (visual original modernizado), Turbocharged (todos os recursos novos ativados) e Custom. Qualquer ajuste de qualquer predefinição pode ser revertido individualmente depois, pelo menu de opções.

Melhorias no modo Aventura. O projeto corrige incômodos antigos do modo história, com salvamento automático, opção de continuar direto da tela inicial e a possibilidade de trocar de personagem pelo menu de pausa. Também permite escolher o tipo de motor (Equilibrado, Aceleração, Velocidade ou Curvas) separadamente do personagem, além de um seletor de cor do kart e um menu que lista todas as recompensas e o que é preciso fazer para desbloquear cada uma. Há ainda novos desafios para liberar Penta Penguin e N. Oxide.

Recursos herdados do High Octane. Entre os extras que vieram do projeto original estão multiplayer local para até quatro jogadores em tela dividida, copas personalizadas, replays de fantasmas com exibição dos comandos, pistas invertidas e espelhadas e controles totalmente configuráveis.


O que você precisa para jogar

O projeto é gratuito e de código aberto (licença GPL-3.0), mas não inclui nenhum arquivo do jogo. É necessário ter uma cópia própria do disco original de Crash Team Racing na versão NTSC-U (americana), em formato de imagem bruta (BIN MODE2/2352). Na primeira execução, uma tela de configuração valida e importa a imagem automaticamente. As versões estáveis são de 32 bits e exigem uma placa de vídeo compatível com OpenGL 3.3. Em Linux, também são necessárias as bibliotecas de 32 bits do sistema.


Roadmap

Entre os planos já divulgados pelo desenvolvedor estão versões de 64 bits e ARM (já disponíveis como builds experimentais e sem testes), um build para Android, possivelmente uma versão para macOS, o retorno do modo online e, talvez no futuro, suporte a mods. O desenvolvedor deixa claro que não há datas prometidas.

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